Conduta - A Represa

Abrigo sustentado por força sobre local estratégico. Segue o formato definido em Conduta - Estrutura de um Abrigo.

O que é

A estação de captação e tratamento que abastecia a região, mais o condomínio de funcionários ao lado. O perímetro foi murado com o que havia: contêiner, carcaça de caminhão, concreto de demolição. É o abrigo mais populoso dos três, com cerca de quarenta pessoas.

Ninguém que mora lá construiu nada daquilo. Tomaram a estação no segundo ano, de um grupo menor que já a ocupava.

Por que sobreviveu

Porque segura a água. Não importa que ninguém lá saiba tratá-la: importa que ninguém entra sem autorização e que a saída pode ser fechada a qualquer momento.

É o poder mais direto dos três e o mais fácil de entender. Também é o mais frágil, porque não depende de saber nada — depende apenas de continuar sendo o mais armado. No dia em que aparecer alguém mais armado, a Represa muda de dono sem que nada no lugar tenha mudado.

Como decide

Por obediência. Existe um chefe, existe quem responde ao chefe e existe o resto. As regras são poucas, ditas em voz alta e aplicadas na hora: quem discute a ordem em público é punido em público.

A conduta ali é lida como lealdade a quem manda, não como decência. Roubar de fora é normal. Roubar de dentro é a única coisa que se pune com expulsão, e expulsão sem água é sentença.

Do que depende

De quem saiba manter o que tomou.

Bomba, filtro, dosagem de cloro e gerador não funcionam sozinhos. Todo conserto vem da Oficina, em troca de carga de água. A Represa sabe que essa dependência é humilhante e já discutiu tomar a Oficina à força pelo menos duas vezes; nas duas, alguém apontou que gente obrigada conserta mal e que o conhecimento morre junto com quem o carrega. O argumento venceu, mas não convenceu.

Como vê os outros

A Oficina é vista como um grupo de gente frágil que se acha superior e que só continua viva porque a Represa permite. Há ressentimento nisso: a Represa tem tudo o que importa e mesmo assim precisa pedir.

A Torre é vista com desconfiança e alguma superstição. Ninguém lá acredita de fato no que a rádio prega, mas ninguém quer ser o primeiro a dizer isso em voz alta, porque metade do abrigo escuta a transmissão à noite.

Por onde a Elite entra

Pela hierarquia. Onde a obediência é a regra, basta comprar ou substituir a pessoa no topo para ter o abrigo inteiro.

O Conduta - Mercenário que entra aqui entra como braço armado útil e sobe rápido, porque a promoção depende de desempenho visível e de mais ninguém. É também onde os Conduta - Fascistas surgem com mais facilidade: já existe comando único, e a diferença entre o chefe atual e um homem forte declarado é pequena o bastante para ninguém notar a troca.