Conduta - Os Três Abrigos
Esta nota descreve os três abrigos documentados até agora e a relação entre eles. Os três ficam na mesma região, a dias de caminhada um do outro, e se conhecem. Não são todos os abrigos que existem no mundo: são os três que a narrativa cobre neste primeiro momento.
Cada um sobrevive por uma das três formas de poder descritas em Conduta - A Elite.
| Abrigo | Forma de poder | O que tem | O que falta |
|---|---|---|---|
| Conduta - A Oficina | Utilidade e conhecimento | Ofício, ferramenta e tratamento médico | Água própria e capacidade de defesa |
| Conduta - A Represa | Força sobre local estratégico | A captação de água e homens armados | Quem saiba operar e manter o que tomou |
| Conduta - A Torre | Manipulação | Uma rádio no ar e a confiança dos outros dois | Qualquer bem material próprio |
A dependência entre eles
Nenhum dos três se sustenta sozinho, e nenhum consegue tomar do outro aquilo de que precisa.
A Represa controla a água, mas a bomba e o gerador são mantidos pela Oficina. Tomar a Oficina à força não resolve o problema: pessoas obrigadas a consertar consertam mal, e o conhecimento morre com quem o carrega. A Oficina, por sua vez, não tem água nem gente armada, e não sobrevive um mês se a Represa fechar o fornecimento.
A Torre não produz nada. O que ela tem é a rádio e o histórico de ter mediado a primeira troca entre os outros dois, quando ainda se tratavam a tiro. Enquanto a Oficina e a Represa preferirem negociar por intermédio dela a se falarem direto, a Torre continua tendo função. É a posição mais forte no curto prazo e a mais frágil no longo.
História compartilhada
Os três se formaram separados durante a Fome e não tiveram contato até o fim do Inverno. O primeiro encontro foi por disputa de água: a Represa cortou o fornecimento, a Oficina tentou tomar a captação e perdeu gente na tentativa. A trégua veio depois, negociada pela Torre, e virou a rotina que vale hoje — água em troca de conserto, com a Torre registrando o acordo e cobrando a parte dela em comida e abrigo.
O acordo não é aliança. É um arranjo que nenhum dos três considera justo e que todos mantêm porque romper custa mais caro. Cada abrigo acredita estar sendo explorado pelos outros dois.
Como a Elite entra
A Elite quer a Oficina. Conhecimento é o bem mais escasso do mundo atual, e é o único que repõe o estoque em vez de consumi-lo. Mas a Elite não entra pela Oficina, que é pequena, fechada e desconfiada de estranhos.
Entra pelos outros dois. Força se compra: um homem armado da Represa aceita ordem de fora com mais facilidade do que aceita ordem de dentro. Manipulação é ainda mais barata: a Torre já vive de repassar a versão dos fatos, e não precisa saber que está repassando a versão de outra pessoa.
O Conduta - Mercenário continua sendo o único ponto de contato. A Elite não aparece à porta de nenhum dos três.
Os Conduta - Fascistas disputam o mesmo controle por outro caminho e tendem a surgir na Represa, onde já existe hierarquia armada e onde mandar às claras é o modo normal de decidir.