Conduta - O Declínio da População

Esta nota descreve como a população brasileira diminuiu durante os sete anos entre a guerra e o presente do jogo. O país não perdeu seus habitantes em um único acontecimento. A mortalidade veio em ondas: primeiro pela interrupção dos sistemas que mantinham as cidades, depois pela falta de água e comida e, por fim, pelas doenças, pela violência e pelas condições insalubres.

A estimativa de 68,5%

Estima-se que 68,5% da população brasileira tenha morrido nos sete anos posteriores à guerra. Restaram aproximadamente 31,5% dos habitantes, distribuídos de maneira desigual e sem um levantamento nacional confiável.

O número não vem de um novo censo. É uma estimativa reconstruída por comunidades, antigos servidores públicos, registros incompletos de distribuição e comunicação entre abrigos. Algumas regiões preservaram parte considerável da população; outras foram abandonadas por completo. Por isso, os 68,5% funcionam como a melhor referência disponível, não como uma contagem exata de cada morte.

Os primeiros dias: a ruptura

As primeiras mortes aconteceram antes de a fome atingir seu auge. Apagões, interrupção das comunicações e colapso dos pagamentos paralisaram serviços essenciais.

  • Hospitais perderam energia, insumos e equipes.
  • Pessoas dependentes de remédios ou aparelhos médicos ficaram sem atendimento.
  • Acidentes aumentaram durante apagões e fugas desordenadas.
  • Instituições foram abandonadas e famílias ficaram separadas.
  • Saques e confrontos começaram em torno de mercados, farmácias e depósitos.

O Brasil ainda tinha comida e água, mas já não conseguia distribuí-las com regularidade.

Os primeiros meses: fome e sede

Quando o diesel foi racionado e os caminhões pararam, os estoques urbanos acabaram rapidamente. Milhões de pessoas permaneceram concentradas em cidades que dependiam de abastecimento constante.

  • A fome tornou-se a principal causa de morte.
  • Reservatórios sem tratamento e fontes improvisadas espalharam doenças.
  • Mercados, armazéns, poços e caixas-d’água viraram pontos de conflito.
  • Crianças, idosos, gestantes e pessoas já doentes morreram primeiro.
  • Grandes grupos deixaram as cidades, mas muitos morreram no caminho.

Ter água por perto não significava ter água potável. Sem energia, produtos químicos, manutenção e bombeamento, até regiões cortadas por rios passaram sede.

Do ano 1 ao ano 3: doença e insalubridade

Durante O Inverno, a mortalidade continuou mesmo onde algum alimento ainda existia. A desnutrição enfraqueceu os sobreviventes, enquanto as cidades acumulavam lixo, esgoto e cadáveres.

  • Diarreias, infecções respiratórias e doenças transmitidas por água contaminada voltaram a matar em grande escala.
  • Ferimentos simples se tornaram fatais por falta de higiene e antibióticos.
  • Tuberculose, pneumonia, parasitoses e doenças transmitidas por mosquitos se espalharam.
  • Frio, umidade e moradias improvisadas agravaram a mortalidade.
  • Fuligem, fumaça e queimadas causaram problemas respiratórios.
  • Partos e gestações voltaram a apresentar riscos muito maiores.

A maior parte dessas pessoas não morreu de uma doença nova. Morreu de causas antes tratáveis, depois que saneamento, vacinação, medicamentos e atendimento deixaram de funcionar.

Do ano 3 ao ano 7: a estabilização cruel

Durante O Assentamento, a queda populacional desacelerou. Isso não significa que o mundo tenha se tornado seguro. Os grupos restantes aprenderam a racionar, filtrar água, cultivar, proteger estoques e impor limites de entrada.

As principais causas de morte passaram a ser locais:

  • Perda de safras e contaminação de fontes de água.
  • Surtos de doenças dentro de comunidades fechadas.
  • Acidentes em barragens, prédios, estradas e redes sem manutenção.
  • Conflitos entre abrigos e ataques a estoques.
  • Expulsão ou abandono de pessoas consideradas um peso para o grupo.
  • Falta prolongada de nutrientes, medicamentos e atendimento.

Os sobreviventes do ano 7 não são uma amostra aleatória da antiga população. Sobreviveram principalmente aqueles que encontraram uma comunidade organizada, tiveram acesso inicial a recursos, possuíam conhecimentos úteis ou contaram com sorte. A seleção não tornou essas pessoas melhores: tornou cada habilidade, vínculo e decisão uma questão de sobrevivência.