Conduta - Narrativa
Narrativa (base)
INTRODUÇÃO
O mundo não acabou em um clarão.
Acabou em silêncio.
Primeiro vieram as notícias desencontradas. Depois, os apagões. Satélites fora de órbita, bolsas de valores congeladas, rotas marítimas interrompidas. Quando Rússia e Estados Unidos apertaram seus respectivos botões, o céu do hemisfério norte ardeu em fogo branco. Cidades inteiras viraram sombras impressas no concreto. O inverno nuclear não precisou alcançar todos os continentes para que o medo atravessasse oceanos.
O Brasil não foi atingido por mísseis. Nenhuma ogiva caiu sobre suas capitais. Nenhuma sirene ecoou anunciando impacto iminente.
Ainda assim, o país desmoronou.
Sem comércio internacional, os portos se tornaram cemitérios de navios. Combustível escasseou. Redes elétricas falharam em cadeia. A inflação virou palavra pequena demais para o que aconteceu. Estados começaram a agir por conta própria. Forças armadas se fragmentaram. Governadores caíram. Facções cresceram. Igrejas lotaram. Bancos fecharam. E, quando a comida faltou nas prateleiras, a civilização revelou sua camada mais fina.
A fome é mais rápida que a radiação.
Os primeiros abrigos surgiram como medida temporária — estações de metrô seladas, túneis adaptados, estacionamentos subterrâneos transformados em comunidades improvisadas. Depois vieram os complexos organizados: condomínios fechados convertidos em fortalezas, fazendas muradas, silos adaptados. O céu tornou-se suspeito. A chuva, uma ameaça. O ar, uma dúvida constante.
Nas ruas abandonadas, quatro tipos de pessoas passaram a definir o novo Brasil.
Os sobreviventes, que se agarram a qualquer resquício de humanidade — trocam, cultivam, ensinam crianças a ler à luz de lanternas improvisadas.
Os mercenários, infiltrados pela elite sabotam abrigos por dentro, derrubam lideranças e transformam proteção em controle para garantir poder e suprimentos.
Os fanáticos, que veem nas explosões distantes a confirmação de profecias antigas. Para eles, o fim é purificação.
E os fascistas, que acreditam que o caos é prova de que o mundo sempre precisou de mão firme — disciplina absoluta, obediência inquestionável, ordem custe o que custar.
Cada abrigo tem sua própria lei. Cada líder, sua própria versão de verdade.
Mas o que realmente define alguém não é o abrigo onde vive — é a escolha que faz quando a comida acaba, quando alguém bate à porta pedindo ajuda, quando o medo sussurra que sobreviver é mais importante do que ser humano.
Porque, no fim, a guerra nuclear foi apenas o gatilho.
O verdadeiro colapso começou dentro das pessoas.
E é aí que esta história começa.
Não com heróis.
Não com vilões.
Mas com decisões.
Com conduta.

GÊNERO E PROPOSTA
Gênero:
Distopia · Thriller · Suspense
Proposta central:
Conduta convida a entender o que aconteceu com a Terra, quem sobreviveu e, principalmente, o que significa “ter conduta” em um mundo onde as antigas leis, valores e verdades deixaram de existir.
No novo contexto, moralidade não é absoluta. Ela é moldada pela escassez, pelo medo e pela necessidade de continuar vivo.
📌 Diretriz:
A história deve provocar desconforto ético, fazendo questionar se agiria diferente.
MUNDO E AMBIENTAÇÃO
Cenário:
Brasil pós-colapso global causado por guerra nuclear externa, com implosão interna política, econômica e social.
Consequências:
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Contaminação generalizada
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Colapso dos governos e da comunicação global
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Migração forçada para abrigos subterrâneos
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Isolamento entre comunidades
Estado atual do mundo:
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Os abrigos funcionam como micro-sociedades (comunidades)
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Cada grupo desenvolveu sua própria noção de ordem e conduta
-
O mundo exterior é temido, mas também desejado
📌 O mundo é construído sobre medo, segredos e regras artificiais.
ESTRUTURA TEMPORAL
Forma narrativa:
Flashback
Função do tempo:
A narrativa responde gradualmente às perguntas:
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O que aconteceu
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Quem é quem
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Como tudo começou
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Como chegamos até aqui
Impacto narrativo:
O passado é revelado em fragmentos, e cada revelação altera o entendimento do presente.
📌 O leitor descobre que a história pode ter mais de um ponto de vista.
CONFLITOS CENTRAIS
⚖️ Conflito Ético
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O que é certo ou errado quando a sobrevivência está em jogo
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A ética antiga ainda se aplica
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A obediência às regras é virtude ou covardia
🧠 Conflito sobre Verdade
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Quem define a atual conduta
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Ainda há espaço para segredos
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O que acontece se a verdade vier à tona
🛡️ Conflito de Sobrevivência
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Recursos limitados
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Decisões brutais
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Sacrifícios necessários
📌 Os conflitos não são resolvidos com força, mas com escolhas irreversíveis.
MOTIVAÇÕES DOS PERSONAGENS
Motivação primária:
Sobreviver a qualquer custo.
Motivações secundárias:
- Descobrir as verdades por trás da sobrevivência
- Entender por que alguns viveram e outros não
- Questionar as regras impostas pelos líderes dos bunkers
📌 Sobreviver pode significar aceitar mentiras (ou morrer buscando a verdade).
CONDUTA: O CONCEITO-CHAVE
“Ter conduta” significa:
- Seguir regras criadas para se manter vivo
Pergunta central:
Em quem devo confiarNo meu instinto… ou nas ações tomadas
📌 Esse conceito deve atravessar toda a narrativa.
ARQUÉTIPOS DE PERSONAGENS
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Sobreviventes: Adaptados ao sistema, mesmo discordando dele.
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Fascistas: Representam a ordem levada ao extremo. Justificam violência como prevenção.
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Mercenário: Serve à elite, com o objetivo de despovoar o abrigo.
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Fanático: Aceitou o fim do mundo e acredita que o acidente nuclear foi “necessário” ou “natural”.
📌 Nenhum arquétipo é estático.
DIRETRIZES NARRATIVAS
Essencial:
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Ambiguidade moral constante
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Revelações graduais e perturbadoras
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Clima claustrofóbico
Evitar:
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Explicações diretas demais
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Personagens totalmente bons ou maus
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Conclusão simplista e explicada