Conduta - Babá
Excerpt
Babá
Proposta, não canônico
Casting gerado para avaliação, não veio do board Histórias - Conduta. Estrutura em Template - Ficha de Personagem. Ver status em Elenco.
Ficha
1. Identidade
| Campo | Valor |
|---|---|
| Nome | Ivone |
| Função | Babá |
| Idade | 52 |
| Data de nascimento | 01/mar |
| Signo | Peixes |
| Altura | 1,56 m |
| Aparência | Negra de pele escura, cabelos pretos trançados e longos, corpo robusto, avental sempre com bolso cheio |
| Orientação sexual | Heterossexual |
| Gênero | Feminino |
| Origem étnica | Preta (brasileira) |
2. Personalidade e Emoções
- Personalidade: Reservada, prática, acolhedora e organizada; fala pouco e resolve antes de perguntarem.
- Caráter: Fiel até o osso com quem ela decidiu proteger; implacável com quem ameaça criança.
- Virtude: Percebe febre, medo e mentira em criança antes de qualquer adulto.
- Defeito: Controladora com as crianças; sufoca de tanto cuidar.
- Hobbie: Faz boneca de pano com sobra de tecido; cada criança do abrigo tem a sua.
- Interesse: Manter a creche funcionando mesmo nos dias de racionamento.
- Humor: Riso curto e cúmplice, sempre pelas costas dos adultos.
- Vício: Conta as crianças em voz alta várias vezes por dia, mesmo estando todas ali.
- Fobia: Perder uma criança de vista em espaço aberto.
- Aversão: Adulto que grita com criança. Já expulsou gente por isso.
3. Comportamento e Estilo de Vida
- Estilo de fala (linguagem): Baixa e firme; com criança muda completamente de voz.
- Vestimenta: Vestido simples sob avental amarelo, lenço na cabeça, sempre calçada.
- Expressão corporal: Ancorada no chão, braços largos, puxa criança para perto por reflexo.
- Comportamento cotidiano: Toma conta de dezenove crianças enquanto os pais trabalham na Represa.
4. Conflitos
- Dilemas morais: Sabe qual criança está apanhando em casa e não sabe a quem entregar isso sem piorar.
- Lutas emocionais: Cria filho dos outros há trinta anos e nunca teve tempo de ter os seus.
- Adversários: Um pai da Represa que ela denunciou e que continua solto.
- Situações difíceis: Devolver criança para casa sabendo o que tem lá dentro.
- Inseguranças: Teme que as crianças esqueçam dela quando crescerem.
- Desafios físicos ou sociais: Não é reconhecida como trabalhadora; a função dela não entra na tabela de ração.
5. Crenças e Valores
- Religião: Evangélica praticante, congregação pequena.
- Espiritualidade: Reza pelo nome de cada uma das dezenove toda noite.
- Crenças políticas: Não entende de política e sabe exatamente quem prejudica criança.
- Filosofias: Criança lembra de tudo, principalmente do que a gente achou que ela não viu.
6. História de Vida
- Tragédias: Cuidava de dois irmãos em 2039. Só conseguiu segurar um na fuga do prédio e passa sete anos revendo aquele instante.
- Conquistas: Nenhuma criança sob a guarda dela morreu em sete anos, nem no Inverno.
- Perdas: O menino que ela não segurou e o próprio útero, numa infecção no ano 3.
- Aventuras: Atravessou a linha de tiro entre Oficina e Represa com quatro crianças amarradas nas costas.
7. Ambiente e Contexto
- Ambiente social: Confiada por todos e consultada por ninguém.
- Ambiente econômico: Recebe em comida e roupa, sem tabela, à vontade de quem paga.
- Ambiente político: Invisível, e é assim que ela consegue tirar criança de casa ruim.
8. Saúde
- Saúde mental: Hipervigilância constante; não dorme direito desde 2039.
- Saúde física: Coluna e joelhos castigados; carrega criança que já não devia carregar.
9. Relacionamentos
Formato: Papel (tipo de vínculo): Função (Nome). Ver a teia já montada em Elenco.
- Quem ela denunciou (conflito): Traficante (Kaique)
- Quem ela ensina com ela (desejo): Professora (Neuza)
- Quem quer fechar a creche (conflito): Militar (Cleide)
- Quem a alimenta escondido (risco): Garçom (Luis Carlos)
10. Motivações
- Objetivo: Manter as dezenove vivas e na creche todos os dias.
- Desejo: Saber o que houve com o menino que ela não conseguiu segurar.
- Ambição: Que cuidar de criança entre na tabela de ração como trabalho.
- Razão que impulsiona ações e escolhas: Segurou uma mão e soltou a outra, e organiza a vida inteira para não repetir a conta.
Leitura
Texto placeholder
Ambientado numa empresa/corporação, não no abrigo pós-nuclear de Narrativa. Nomes e fatos abaixo não são canônicos — ver Elenco. Letícia, a babá. Com apenas dezenove anos, ela parece deslocada entre os profissionais sisudos e competitivos que circulam pelos corredores corporativos. Sua juventude é enganosa. Atrás do olhar doce e das roupas simples, Letícia carrega uma sabedoria emocional rara, moldada não por diplomas ou treinamentos formais, mas por uma vida que exigiu dela maturidade desde cedo.
Letícia foi contratada originalmente para cuidar das crianças de funcionários de alto escalão durante um projeto piloto de ambiente corporativo familiar. Mas o programa foi descontinuado silenciosamente após uma série de eventos que nunca chegaram à imprensa. Ela, porém, permaneceu. Oficialmente, por bons serviços prestados. Extraoficialmente, porque parecia ser útil demais para ser dispensada.
Não há crianças no prédio. Mas Letícia está sempre lá. Circula pelos andares com naturalidade, levando lancheiras organizadas, cantando melodias infantis quase imperceptíveis e observando tudo com atenção. Sua presença provoca desconforto. Ninguém quer confrontar uma jovem aparentemente inofensiva, mas todos sabem que ela escuta mais do que deveria. Sua gentileza a torna invisível, e é justamente isso que a torna perigosa.
Letícia possui uma habilidade rara e sutil: ela consegue fazer com que os outros revelem demais, acreditando que estão apenas desabafando. Ela acolhe, escuta, e quando responde, não oferece conselhos, mas perguntas simples e cortantes. “Você tem certeza de que foi justo com ele” ou “E se ele soubesse disso, o que faria”. Não julga, mas planta a dúvida. Uma dúvida que corrói, que muda escolhas.
Sua conduta é desconhecida. Letícia pode ajudar a proteger alguém sem jamais revelar isso, ou manipular silenciosamente um grupo inteiro com frases ditas em momentos-chave. Ninguém sabe ao certo de que lado ela está, talvez nem ela mesma. Seu critério é afetivo, quase intuitivo: protege quem considera bom, mas sem apego à lógica ou alianças fixas.