Conduta - Advogada

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Advogada


Função: Advogada

Ela se chamava Valéria Nunes, mas poucos ousavam chamá-la pelo primeiro nome. “Doutora Valéria” era como preferia, não por vaidade, mas por imposição. Havia algo em seu tom de voz que transformava qualquer conversa em um interrogatório. Ela não gritava, não ameaçava, mas cada palavra sua era um fio de navalha: pontual, precisa, afiada.

Valéria não era funcionária da empresa no sentido tradicional. Sua presença ali era resultado de um acordo obscuro entre a alta diretoria e um escritório jurídico de reputação impecável — e, curiosamente, de moral questionável. Oficialmente, ela prestava assessoria legal às equipes internas. Na prática, era um misto de observadora, conselheira e fiscal silenciosa. Sabia demais, falava de menos.

A sua mesa nunca acumulava papéis. Seus arquivos estavam criptografados, seu telefone era pessoal e profissional ao mesmo tempo, e nunca recebia ligações que durassem mais de três minutos. Valéria era uma mulher que economizava tudo, menos inteligência. Seus olhos não buscavam informação; extraíam.

Diziam que já havia defendido criminosos em tribunais internacionais e que, com a mesma frieza, inocentou culpados e condenou inocentes. Mas ninguém conseguia provar. Porque se tem uma coisa que Valéria entendia melhor do que leis… era a natureza humana. E por isso mesmo, sua habilidade no jogo era devastadora.

Na lógica de Conduta, a Advogada tem conduta desconhecida. Ela pode atuar em benefício de qualquer lado — contanto que isso beneficie sua argumentação. Uma vez por jogo, durante a fase de votação, ela pode impedir que um jogador vote ou seja votado. Não precisa justificar, não precisa explicar. Apenas levanta a mão e declara: “Objeção.”

O silêncio que se segue costuma ser mortal.

Valéria não buscava justiça. Buscava coerência. Era movida por princípios próprios, e suas alianças mudavam de acordo com o que ela considerava lógico, eficiente, vantajoso. Isso a tornava imprevisível. E, portanto, perigosa.

Durante uma partida, era comum que ela mudasse o rumo das discussões com uma simples observação. “Engraçado… você diz estar preocupado, mas votou sem hesitar.” Era o suficiente para plantar a dúvida. E em Conduta, a dúvida era a semente do caos.

Mas o mais assustador sobre Valéria não era sua habilidade — era sua presença. Porque, mesmo calada, era como se todos estivessem sendo julgados. E talvez estivessem. No tribunal dela, não havia juízes. Apenas testemunhas… e réus ainda não declarados.