Conduta - Militar
Excerpt
Militar
Seu nome era Capitã Érica Lemos. Não exigia que a chamassem assim, mas era assim que todos a tratavam. Mesmo fora do quartel, mesmo nos corredores burocráticos da empresa, havia algo em sua postura que impunha respeito — não por intimidação, mas por clareza. Ela era o tipo de pessoa que falava pouco, ouvia muito e jamais hesitava. Uma presença que irradiava ordem em um ambiente feito de caos.
A história de como Érica passou a integrar a organização era um mistério. Oficialmente, estava ali para coordenar a segurança interna em um programa-piloto que visava implementar “disciplinas estratégicas de resposta a crises”. Extraoficialmente, todos sabiam que ela fazia parte de algo maior — talvez uma força de contenção, talvez uma forma de dissuasão velada contra possíveis sabotagens internas.
O que ninguém esperava era o quanto ela compreendia de dinâmica humana. Esperavam rigidez, mas ela oferecia estrutura. Esperavam brutalidade, mas ela trazia foco. Tinha um senso apurado de justiça e responsabilidade. Não se impressionava com poder, nem se curvava a cargos. Ela fazia o que precisava ser feito — e fazia bem.
Sua experiência como militar não se resumia a combate físico. Ela havia comandado tropas em zonas de instabilidade institucional, onde o verdadeiro desafio não era sobreviver, mas manter a sanidade e a confiança em meio à paranoia. Tinha treinado soldados para ler entrelinhas de relatórios, reconhecer microexpressões e reagir ao menor sinal de traição.
No ambiente de Conduta, Érica era um fantasma racional. Não tomava partido visível, mas sua presença bastava para mudar a direção de conversas. Alguns diziam que ela era boa demais para estar ali. Outros achavam que sua moralidade era uma farsa — uma armadura forjada por sobrevivência. Ela não esclarecia. Apenas observava, planejava, executava.
Sua habilidade, de conduta da ordem, manifesta-se em momentos decisivos. Uma única vez por partida, a Militar pode bloquear completamente a habilidade de outro jogador antes que ela se manifeste, como um contra-ataque tático. Para isso, precisa declarar sua intervenção durante a votação — é a forma que encontrou de aplicar o código de guerra em um campo onde balas são substituídas por decisões.
Ela não age por impulso, e jamais busca vingança. Mas quando se move, é porque calculou cada risco, cada desdobramento — e concluiu que, naquele instante, o silêncio não bastava.
Capitã Érica Lemos não está ali para mandar. Está para garantir que a missão — seja ela qual for — não seja corrompida pela covardia.