Conduta - Cantora
Excerpt
Cantora
Proposta, não canônico
Casting gerado para avaliação, não veio do board Histórias - Conduta. Estrutura em Template - Ficha de Personagem. Ver status em Elenco.
Ficha
1. Identidade
| Campo | Valor |
|---|---|
| Nome | Carmen |
| Função | Cantora |
| Idade | 31 |
| Data de nascimento | 03/jun |
| Signo | Gêmeos |
| Altura | 1,74 m |
| Aparência | Negra de pele escura, cabelos pretos crespos e médios, corpo robusto, cicatriz de queimadura no antebraço direito |
| Orientação sexual | Bissexual |
| Gênero | Feminino |
| Origem étnica | Preta (brasileira) |
2. Personalidade e Emoções
- Personalidade: Extrovertida, imaginativa, sensível e espontânea; fala bastante e canta mais ainda.
- Caráter: Generosa até o próprio prejuízo; promete o que não tem e dá um jeito depois.
- Virtude: Consegue segurar uma sala inteira com a voz quando o medo começa a virar briga.
- Defeito: Espontânea demais para guardar segredo; conta o que não devia e se arrepende cantando.
- Hobbie: Reescreve letras antigas com o que sobrou de memória, trocando os versos que não lembra.
- Interesse: Gravar as vozes dos velhos do abrigo antes que morram levando as canções junto.
- Humor: Riso alto e fácil, piada na hora errada, choro logo depois.
- Vício: Cachaça de alambique clandestino, nas noites em que a rádio fica muda.
- Fobia: Silêncio absoluto. Precisa de algum som, nem que seja o próprio cantarolar.
- Aversão: Gente que manda calar a boca. E hino, de qualquer tipo.
3. Comportamento e Estilo de Vida
- Estilo de fala (linguagem): Fala cantando o fim das frases, chama todo mundo de “meu bem”, nunca termina uma história do mesmo jeito.
- Vestimenta: Camadas de tecido garimpado, sempre com uma peça vermelha; brincos improvisados de arame e vidro.
- Expressão corporal: Ocupa espaço, gesticula largo, encosta em quem conversa.
- Comportamento cotidiano: Canta na abertura e no encerramento da transmissão da Torre; o resto do dia troca favores.
4. Conflitos
- Dilemas morais: A Torre quer que ela cante o que acalma. Ela sabe quais notícias estão sendo engolidas junto.
- Lutas emocionais: Ama Isadora e sabe que está no meio de uma guerra que começou antes dela.
- Adversários: Matheus, que a chama de perdição da filha, e Rafael, que a trata como obstáculo.
- Situações difíceis: Ser obrigada a anunciar um número de mortos que ela sabe estar maquiado.
- Inseguranças: Achar que só é querida enquanto está cantando.
- Desafios físicos ou sociais: A voz falha desde a fumaça do Inverno; algumas noites ela simplesmente não sai.
5. Crenças e Valores
- Religião: Criada no candomblé pela avó; mantém os rituais que lembra, sem terreiro.
- Espiritualidade: Acredita que voz é a última coisa que sobra de uma pessoa.
- Crenças políticas: Desconfia de quem fala bonito, inclusive dela mesma.
- Filosofias: O que não é dito em voz alta apodrece.
6. História de Vida
- Tragédias: Cantava num bar em 2039 quando as luzes caíram e não voltaram. Perdeu a avó na Fome, em fila de água.
- Conquistas: Fez da rádio da Torre algo que os três abrigos param para ouvir.
- Perdas: A voz de peito, que a fumaça levou, e a irmã mais nova, de quem não teve notícia depois do Inverno.
- Aventuras: Atravessou a região sozinha para cantar no velório de um homem que nunca conheceu.
7. Ambiente e Contexto
- Ambiente social: É a cara pública da Torre sem ter nenhum poder dentro dela.
- Ambiente econômico: Recebe em comida e pilha. Não guarda nada.
- Ambiente político: Todo mundo gosta dela, o que a torna útil demais para ser solta.
8. Saúde
- Saúde mental: Oscila entre euforia e apagões de tristeza que dura dias.
- Saúde física: Pulmão comprometido pela fumaça. Cansa rápido, disfarça bem.
9. Relacionamentos
Formato: Papel (tipo de vínculo): Função (Nome). Ver a teia já montada em Elenco.
- Namorada (desejo): Dançarina (Isadora)
- Pai da namorada (conflito): Religioso Devoto (Matheus)
- Ex da namorada (conflito): Gamer (Rafael)
- Quem controla a rádio (risco): Político (Manuel)
10. Motivações
- Objetivo: Continuar no ar sem virar porta-voz de mentira.
- Desejo: Uma vida com Isadora que não precise ser explicada a ninguém.
- Ambição: Gravar e espalhar as canções dos três abrigos antes que sumam.
- Razão que impulsiona ações e escolhas: Medo de que o silêncio volte e dessa vez fique.
Leitura
Texto placeholder
Ambientado numa empresa/corporação, não no abrigo pós-nuclear de Narrativa. Nomes e fatos abaixo não são canônicos — ver Elenco. Na penumbra de um mundo que sufoca a arte com algoritmos e números, a voz dela ainda rasga o silêncio como um raio atravessando a noite. A Cantora não nasceu para ser famosa, mas inevitavelmente se tornou. Não pelos holofotes ou pelas vitrines digitais, mas por algo muito mais antigo: verdade. Sua voz carrega uma ancestralidade que arrepia quem ouve, uma melodia que parece ressoar com dores há muito enterradas e esperanças que ninguém mais ousa nomear.
Ela cresceu no subúrbio abafado por buzinas, gritos e sonhos engavetados. A mãe, ex-costureira, cantarolava antigas modas de viola enquanto alinhavava roupas de terceiros. O pai, ausente – talvez não por escolha, mas por desistência. Desde pequena, a menina aprendeu a ouvir os sons do mundo: o ranger dos trilhos do trem, o lamento dos cães à noite, a sinfonia improvisada das panelas no jantar. E tudo isso, mais cedo ou mais tarde, virou música.
Nos bastidores da fama, a Cantora é quase um espectro: reclusa, calculadamente silenciosa, escondida atrás de óculos escuros e uma aura de mistério. No entanto, no palco, ela se transforma. Ali, cada nota parece um sussurro íntimo, um segredo partilhado apenas com você. Sua presença não se impõe pela técnica, mas pela entrega — visceral, quase desconfortável. Ela canta como quem viveu todas as histórias que conta, mesmo que algumas sejam ficção.
Na empresa onde se desenrola o teatro psicológico de Conduta, ela ocupa um espaço ambíguo. É símbolo de cultura, mas também de dissonância. Os chefes a convidam para eventos como um ornamento humano; os funcionários a admiram, mas temem sua lucidez. Afinal, ela ouve o que ninguém diz. Percebe nuances nos tons de voz, nos silêncios entre frases, nas pausas que escondem mais que as palavras.
Alguns dizem que a Cantora conhece os podres da corporação por meio de sussurros escutados entre camarins e corredores. Outros acreditam que ela já foi ameaçada para se calar — o que explicaria o tom sombrio de suas últimas canções. Seja como for, ninguém duvida: sua arte não é apenas entretenimento. É denúncia, consolo, e, talvez, uma forma de resistência.
Ela é uma artista em uma guerra sem armas. E sua música, um manifesto contra a apatia.