Conduta - Dançarina
Excerpt
Dançarina
Aos 26 anos, Isadora é dançarina. Seu corpo magro e atlético, treinado para disciplina e resistência, contrasta com a tensão constante que carrega nos ombros. Pele branca, cabelos castanhos claros, longos e ondulados, postura firme. Ela fala baixo, em frases curtas, como quem mede cada palavra antes de soltá-la no mundo. Observa mais do que participa. E quando sustenta o olhar, poucos conseguem mentir para ela.
Introspectiva e moderadamente sensível, Isadora pensa demais — e quase nunca em voz alta. É reservada, mas ferozmente fiel quando decide confiar. Determinada, orgulhosa e controladora, trava suas maiores batalhas por dentro. Seu maior vício é o excesso de pensamento; sua maior fobia, ser ignorada ou tratada como fraca. À noite, escreve em um caderno escondido tudo o que não consegue dizer. De dia, mantém a postura de quem tem tudo sob controle.
Criada sob base cristã por um pai conservador, rompeu com ele após a morte da mãe — uma ruptura que ecoa até hoje. Também deixou para trás um relacionamento tóxico com o ex-namorado, que nunca aceitou o término. Entre perdas e escolhas duras, abriu mão de uma grande amizade para conquistar independência. Hoje, vive um novo relacionamento com uma cantora — amor que desafia as crenças do pai e alimenta os conflitos que ainda a cercam.
Em uma comunidade competitiva, onde alianças mudam rápido e reputações são destruídas com facilidade, Isadora aprendeu que verdade e aparência raramente caminham juntas. Seu dilema é constante: proteger pessoas mantendo as aparências ou expor verdades que podem desmoronar tudo o que foi construído. Ela acredita em energia e consequências — tudo volta, cedo ou tarde. E por isso calcula cada passo.
Seu objetivo é claro: sobreviver, ter controle absoluto da própria vida e não depender de ninguém. Seu desejo é ser reconhecida como uma mulher poderosa e independente. Sua ambição é liderar. Mas o que realmente impulsiona suas escolhas é o medo silencioso de ser descartada, de perder relevância, de não ser forte o suficiente.
Neste novo mundo, onde “certo” e “errado” são conceitos moldáveis, Isadora não quer apenas sobreviver. Ela quer definir o que significa ter conduta.