Conduta - Gamer
Excerpt
Gamer
Rafael carrega no olhar a intensidade de quem já viu o pior do mundo — e sobreviveu. Aos 29 anos, o gamer profissional transformou o caos em estratégia e a dor em combustível. Negro de pele clara, cabelos castanhos curtos e levemente bagunçados, barba sempre por fazer e postura firme, ele impõe presença mesmo vestindo o básico: jeans, tênis, blusa com capuz caída nas costas e os inseparáveis fones de ouvido que funcionam como escudo contra o mundo. Seu corpo é magro, sedentário, mas sua energia é inquieta — como se estivesse sempre prestes a entrar em mais uma partida decisiva.
Extrovertido, crítico e impulsivo, Rafael fala alto, com sarcasmo afiado e explicações detalhadas que beiram a necessidade de provar superioridade. Gosta de dominar os assuntos que estuda, desafiar limites e mostrar que está sempre alguns passos à frente. Seu humor é irônico, provocador; seu sorriso, constante — às vezes charme, às vezes aviso. Há nele um forte senso de justiça, mas perigoso: acredita que o certo deve ser feito… desde que esteja do seu lado do tabuleiro.
Carrega traumas que moldaram sua conduta. Quase presenciou a morte do pai e o suicídio da mãe ainda jovem, protegido pela irmã do horror daquela noite. Desde então, a ideia de perder a única família que restou se tornou seu maior medo. Construiu uma carreira sólida como jogador profissional, viajando o mundo e auxiliando sua irmã, mas nunca conseguiu organizar o próprio caos interno.
Narcisista assumido — ou talvez apenas profundamente ferido — Rafael se vê como alvo constante de injustiças. Se há cochichos ao redor, acredita ser o centro deles. Se é contrariado, luta para manter o controle da agressividade que insiste em escapar. Quer recuperar o amor da ex-namorada, mas sem abrir mão da própria personalidade; deseja ser mais compreensivo, mas não aceita ser diminuído. Vive nesse paradoxo: quer evoluir, mas não quer ceder.
No novo mundo moldado por desconfiança, alianças frágeis e sobrevivência a qualquer custo, Rafael é estrategista por natureza. Observa, calcula, provoca, testa limites. Não confia nas aparências — e faz questão de que também não confiem nas dele. Porque, para Rafael, conduta não é o que se diz… é o que se faz quando ninguém está olhando.