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Proposta, não canônico

Casting gerado para avaliação, não veio do board Histórias - Conduta. Estrutura em Template - Ficha de Personagem. Ver status em Elenco.

Ficha

1. Identidade

CampoValor
NomeMatheus
FunçãoReligioso Devoto
Idade54
Data de nascimento07/set
SignoVirgem
Altura1,76 m
AparênciaBranco de pele clara, cabelos grisalhos lisos e curtos, corpo magro, mãos marcadas de trabalho
Orientação sexualHeterossexual
GêneroMasculino
Origem étnicaBranca (brasileira)

2. Personalidade e Emoções

  • Personalidade: Reservado, prático, racional e metódico; fala pouco e nunca sem pensar antes.
  • Caráter: Cumpre o que promete e cobra o mesmo dos outros, sem exceção nem desconto.
  • Virtude: Disciplinado ao ponto de sustentar a rotina do abrigo quando ninguém mais consegue.
  • Defeito: Confunde firmeza com estar certo; não recua nem quando percebe que errou.
  • Hobbie: Encaderna à mão as folhas soltas que sobraram das bíblias queimadas.
  • Interesse: Estabelecer um calendário fixo de ofícios, com hora marcada, todos os dias.
  • Humor: Seco. Faz observações que só ele acha engraçadas.
  • Vício: Jejum. Passa dias sem comer e chama isso de disciplina.
  • Fobia: Morrer sem ter sido perdoado pela filha.
  • Aversão: Improviso, festa e qualquer coisa que ele julgue indecente.

3. Comportamento e Estilo de Vida

  • Estilo de fala (linguagem): Frases curtas, tom baixo, cita trechos de memória e não explica de onde vêm.
  • Vestimenta: Camisa cinza abotoada até em cima, sempre limpa; um único par de sapatos, remendado três vezes.
  • Expressão corporal: Postura ereta, mãos cruzadas, olhar que não desvia.
  • Comportamento cotidiano: Acorda antes de todos, varre o salão da Torre e abre o dia com uma leitura.

4. Conflitos

  • Dilemas morais: Sabe que a Torre mente e acha que a mentira está mantendo as pessoas vivas.
  • Lutas emocionais: Perdeu a filha para uma vida que ele não consegue abençoar e não consegue esquecer.
  • Adversários: Carmen, que ele culpa pelo afastamento de Isadora.
  • Situações difíceis: Ser procurado por gente que quer consolo quando ele mesmo não tem.
  • Inseguranças: Suspeita, no fundo, de que endureceu por covardia e não por fé.
  • Desafios físicos ou sociais: A congregação diminui a cada mês e ele não sabe pregar de outro jeito.

5. Crenças e Valores

  • Religião: Cristão praticante, formação conservadora, rígido quanto à letra.
  • Espiritualidade: Acredita em provação. O colapso, para ele, é exame e não castigo.
  • Crenças políticas: Ordem acima de tudo; desconfia de assembleia e de voto.
  • Filosofias: Quem afrouxa a regra na urgência não tinha regra nenhuma.

6. História de Vida

  • Tragédias: A mulher morreu de infecção no ano 2 por falta de antibiótico. Ele rezou a noite toda e não foi buscar ajuda na Oficina.
  • Conquistas: Manteve a congregação de pé durante o Inverno, quando a fé era a única coisa distribuída de graça.
  • Perdas: A esposa, a filha e a certeza de que estava fazendo o certo.
  • Aventuras: Caminhou três dias até a Represa para enterrar um desconhecido a pedido da mãe dele.

7. Ambiente e Contexto

  • Ambiente social: Respeitado e evitado. Procuram-no na desgraça e somem depois.
  • Ambiente econômico: Vive do que a congregação dá. Recusa qualquer excedente.
  • Ambiente político: A Torre o mantém por perto porque a fé dele legitima o que eles dizem.

8. Saúde

  • Saúde mental: Culpa crônica administrada por rotina. Não fala do assunto com ninguém.
  • Saúde física: Magro demais pelos jejuns. Tremor nas mãos que ele esconde.

9. Relacionamentos

Formato: Papel (tipo de vínculo): Função (Nome). Ver a teia já montada em Elenco.

  • Filha (conflito): Dançarina (Isadora)
  • Companheira da filha (conflito): Cantora (Carmen)
  • Quem ele quer converter (desejo): Magnata (Marlon)
  • Quem sabe do que ele não fez (risco): Médico (Iracema)

10. Motivações

  • Objetivo: Reabrir a porta para a filha sem ter que dizer que estava errado.
  • Desejo: Uma última conversa com Isadora em que nenhum dos dois grite.
  • Ambição: Deixar uma regra escrita que sobreviva a ele.
  • Razão que impulsiona ações e escolhas: A convicção de que afrouxar agora invalida tudo o que ele já cobrou dos outros.

Leitura

Texto placeholder

Ambientado numa empresa/corporação, não no abrigo pós-nuclear de Narrativa. Nomes e fatos abaixo não são canônicos — ver Elenco. created: 2026-03-10T16:10:03-03:00 tags: [funcao, elenco]


Religioso Devoto

Conceito

Ele se chamava Kaito. Nome herdado do avô, reverenciado na pequena vila costeira onde cresceu. Sua presença era serena, discreta, marcada por uma respiração pausada e um olhar que parecia sempre repousar no momento presente. Kaito não tinha crachá, não constava nos registros da empresa nem recebia salário — e ainda assim, estava ali. Todos os dias. Sempre nos mesmos horários.

Chegava cedo, antes da correria dos elevadores e do café engolido às pressas. Sentava-se em silêncio no pátio interno, sobre uma pequena almofada dobrável que carregava consigo, olhos semiabertos, observando. Às vezes durante o almoço, outras após o expediente, podia-se vê-lo andando lentamente pelos corredores com um pequeno sino de cobre na mão, entoando mantras quase inaudíveis. Alguns achavam aquilo excêntrico, outros se sentiam inexplicavelmente mais calmos em sua presença.

Ninguém sabia ao certo quem o havia deixado entrar — ou se ele realmente havia entrado. Era como se Kaito fosse parte do próprio prédio, como uma escultura esquecida em um canto sagrado da arquitetura. Seus gestos eram simples: recolher papéis do chão, reorganizar cadeiras desalinhadas, apagar luzes desnecessárias. Nunca deu conselhos diretamente, mas sempre deixava anotações escritas à mão em folhas de papel de arroz, com versos do Dhammapada ou ditos zen que falavam sobre causa e efeito, impermanência, engano.

Com o tempo, surgiram histórias. Diziam que algumas decisões corporativas desastrosas foram precedidas por suas advertências sutis. “Não colherás frutos de uma semente que não plantaste”, dizia um dos bilhetes encontrados sobre a mesa de um diretor dias antes de uma auditoria explosiva. Havia quem o evitasse, temendo que seu silêncio escondesse algum poder oculto. Havia quem o procurasse em segredo, buscando paz em meio à loucura.

No jogo de Conduta, o Religioso Devoto possui conduta do caos, ainda que envolto em uma aparência de neutralidade plena. Sua habilidade, usada uma única vez, permite anular o voto de um jogador em uma rodada, sob o argumento de “equilíbrio espiritual”. No entanto, caso o voto anulado seja de um jogador de conduta da ordem, ele é penalizado secretamente — perdendo acesso à sua habilidade se ainda não a tiver usado.

Kaito acredita que o mundo é regido por ciclos cármicos inescapáveis. Para ele, intervir demais é perpetuar o sofrimento. Por isso, quando interfere, o faz com a convicção de que está apenas acelerando o inevitável. No entanto, dentro da empresa, onde compaixão pode ser confundida com conivência, sua passividade seletiva esconde intenções sombrias.

Kaito não fala sobre bem ou mal. Fala sobre fluxo. Mas nesse fluxo, ele escolhe quem se afoga.

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