Conduta - Escritora

Excerpt

Escritora


Proposta, não canônico

Casting gerado para avaliação, não veio do board Histórias - Conduta. Estrutura em Template - Ficha de Personagem. Ver status em Elenco.

Ficha

1. Identidade

CampoValor
NomeKauane
FunçãoEscritora
Idade17
Data de nascimento05/abr
SignoÁries
Altura1,63 m
AparênciaIndígena de pele morena, cabelos pretos lisos e médios com franja cortada em casa, corpo esguio, caderno amarrado com barbante
Orientação sexualPansexual
GêneroGênero-fluido
Origem étnicaIndígena (brasileira)

2. Personalidade e Emoções

  • Personalidade: Introspectivo, imaginativo, sensível e espontâneo; observa mais do que fala e escreve tudo depois.
  • Caráter: Incapaz de deixar injustiça sem registro, mesmo quando registrar custa caro.
  • Virtude: Escreve o que o abrigo inteiro está sentindo e não consegue nomear.
  • Defeito: Impulsivo com as palavras; publica no mural antes de medir a consequência.
  • Hobbie: Escreve no mural da Oficina uma página nova toda semana, sem assinar.
  • Interesse: Contar os sete anos do ponto de vista de quem cresceu dentro deles.
  • Humor: Seco e velho demais para a idade.
  • Vício: Escreve de madrugada e dorme em aula.
  • Fobia: Crescer e virar igual aos adultos do abrigo.
  • Aversão: Adulto que diz que criança não entende. E nostalgia do mundo antigo.

3. Comportamento e Estilo de Vida

  • Estilo de fala (linguagem): Poucas palavras faladas e muitas escritas; responde em bilhete quando o assunto é difícil.
  • Vestimenta: Roupa de adulto ajustada em casa, moletom anil grande demais, tênis remendado.
  • Expressão corporal: Encolhido nos cantos, sempre com o caderno aberto no colo.
  • Comportamento cotidiano: Estuda com Neuza de manhã e escreve o resto do dia; faz as letras que Ariel canta.

4. Conflitos

  • Dilemas morais: O mural anônimo já causou uma expulsão e Kauane não se entregou.
  • Lutas emocionais: Não tem memória do mundo antigo e está cansado de ouvir que perdeu alguma coisa.
  • Adversários: A Torre, que quer saber quem escreve no mural.
  • Situações difíceis: Ouvir adulto descrever o mundo de antes como se fosse melhor.
  • Inseguranças: Acha que só é levado a sério porque é o mais novo e isso vai passar.
  • Desafios físicos ou sociais: Dezessete anos, sem função definida e sem ração própria na tabela.

5. Crenças e Valores

  • Religião: Nenhuma. A avó cantava e Kauane lembra de trechos.
  • Espiritualidade: Acredita que escrever fixa a pessoa no lugar onde ela esteve.
  • Crenças políticas: Acha que os três abrigos são administrados por gente que não vai viver o resultado.
  • Filosofias: Quem conta a história decide o que foi tragédia e o que foi preço.

6. História de Vida

  • Tragédias: Tinha dez anos e foi a única da família a passar pelo posto de triagem do ano 3. Não sabe até hoje por qual critério foi escolhido.
  • Conquistas: O mural virou o único espaço de opinião livre dos três abrigos.
  • Perdas: A família inteira no posto de triagem e qualquer lembrança nítida de antes.
  • Aventuras: Passou uma noite na zona velha para escrever como é o silêncio de uma cidade vazia.

7. Ambiente e Contexto

  • Ambiente social: Protegido por Neuza e por Fátima; ignorado pelo resto.
  • Ambiente econômico: Não tem ração própria; come do que sobra da escola.
  • Ambiente político: Anônimo e procurado; o mural incomoda os três.

8. Saúde

  • Saúde mental: Deslocamento permanente, insônia, tristeza que ele descreve melhor do que sente.
  • Saúde física: Subnutrido, magro, saudável apesar de tudo.

9. Relacionamentos

Formato: Papel (tipo de vínculo): Função (Nome). Ver a teia já montada em Elenco.

  • Quem quer saber quem escreve no mural (conflito): Político (Manuel)
  • Quem canta o que Kauane escreve (desejo): Músico (Ariel)
  • Quem manda parar de escrever (conflito): Militar (Cleide)
  • Quem protege a identidade dele (risco): Professora (Neuza)

10. Motivações

  • Objetivo: Terminar o relato dos sete anos vistos de dentro.
  • Desejo: Saber por qual critério foi escolhido no posto de triagem.
  • Ambição: Que a versão de quem cresceu no colapso conte tanto quanto a de quem lembra de antes.
  • Razão que impulsiona ações e escolhas: Foi o único poupado e não sabe por quê, e escrever é o jeito de justificar a escolha.

Leitura

Texto placeholder

Ambientado numa empresa/corporação, não no abrigo pós-nuclear de Narrativa. Nomes e fatos abaixo não são canônicos — ver Elenco.

Função: Escritora

Na empresa, ela era apenas Clara M. Varella — redatora técnica da equipe de comunicação interna, sentada sempre na mesa do canto, próxima à janela que jamais se abria. Mas, nas entrelinhas da rotina burocrática, ela era muito mais do que aparentava. Ninguém sabia o que o “M” significava. Ninguém se atrevia a perguntar.

Clara escrevia como quem sangra. Antes da empresa, fora romancista de prestígio mediano, autora de uma trilogia psicológica louvada por críticos e ignorada pelo público. Quando as vendas minguaram e a editora fechou, Clara vendeu a alma — ou parte dela — ao corporativismo. Seus textos agora falavam sobre métricas, integração de times, ética e performance. Palavras ocas, mas cuidadosamente medidas. Frases afiadas como navalhas disfarçadas em slides de PowerPoint.

Ela observava tudo. O silêncio entre os colegas, o nervosismo dos novatos, os sorrisos forçados dos líderes. Registrava tudo mentalmente, como se estivesse escrevendo um livro invisível — um romance corporativo de terror. Sabia quem copiava quem. Quem mentia bem. Quem escondia algo. Clara via tudo isso porque havia vivido tudo isso antes, de forma diferente, nas entrelinhas da literatura. Agora, escrevia com mais precisão. Sua pena era sua arma. E sua mente, um arquivo sombrio.

Poucos sabiam que Clara mantinha um diário criptografado em seu laptop, um documento confidencial onde narrava os acontecimentos da empresa com nomes trocados, mas situações reais. O que era ficçãoO que era denúnciaNinguém sabia. Talvez nem ela.

Quando os boatos começaram — sabotagens internas, sumiço de relatórios, desconfiança generalizada —, Clara já havia previsto tudo. Escrevera uma cena parecida semanas antes. Isso a assustou. Ou a excitou. Era como se sua narrativa estivesse moldando a realidade. Ou pior: como se a empresa estivesse seguindo o roteiro de sua mente.

Alguns colegas a acusaram de manipulação sutil. De plantar ideias através dos textos da intranet. De provocar paranoia. Clara não respondeu. Nunca respondia diretamente. Apenas escrevia.

No universo de Conduta, a Escritora é a personificação da ambiguidade. Ela pode registrar a verdade ou distorcê-la. Pode proteger informações vitais — ou expô-las para o caos. Sua habilidade pode salvar a integridade de um grupo… ou desestruturá-lo com uma única frase bem colocada. Sua condutaDifícil de definir. Clara pode ser uma aliada preciosa. Ou uma traidora silenciosa. Afinal, quem controla a narrativa, muitas vezes, controla o jogo.