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Proposta, não canônico
Casting gerado para avaliação, não veio do board Histórias - Conduta. Estrutura em Template - Ficha de Personagem. Ver status em Elenco.
Ficha
1. Identidade
| Campo | Valor |
|---|---|
| Nome | Ezequiel |
| Função | Líder Religioso |
| Idade | 70 |
| Data de nascimento | 28/dez |
| Signo | Capricórnio |
| Altura | 1,74 m |
| Aparência | Negro de pele retinta, cabelos brancos crespos e curtos, corpo magro, bengala entalhada à mão |
| Orientação sexual | Prefere não informar |
| Gênero | Masculino |
| Origem étnica | Preta (brasileira) |
2. Personalidade e Emoções
- Personalidade: Expansivo, visionário, acolhedor e organizado; fala muito e ninguém sai da sala antes do fim.
- Caráter: Perdoa rápido demais, inclusive quem não pediu perdão.
- Virtude: Consegue fazer inimigo sentar na mesma banco sem que nenhum saia.
- Defeito: Controlador com a comunidade; decide pelos outros achando que é cuidado.
- Hobbie: Entalha bengala e cajado para quem começa a ter dificuldade de andar.
- Interesse: Um velório coletivo para os mortos sem corpo dos sete anos.
- Humor: Caloroso, brinca com a própria idade, desarma tensão com piada de velho.
- Vício: Fala demais. Não consegue encerrar uma conversa.
- Fobia: Morrer antes de ter reconciliado a Oficina e a Represa.
- Aversão: Fé usada como ameaça. E líder que não come com o povo.
3. Comportamento e Estilo de Vida
- Estilo de fala (linguagem): Cadenciado, quase cantado, chama todos de filho, faz pausa longa antes do que importa.
- Vestimenta: Túnica escura simples com faixa laranja, sandália, nenhum enfeite.
- Expressão corporal: Apoia as duas mãos na bengala e para de andar para escutar.
- Comportamento cotidiano: Media conflito nos três abrigos e enterra os mortos que ninguém reclama.
4. Conflitos
- Dilemas morais: Sabe que a autoridade dele vem de uma fé que ele mesmo já não tem inteira.
- Lutas emocionais: Consola todo mundo há sete anos e nunca disse a ninguém que perdeu a fé no ano 3.
- Adversários: Matheus, que o acusa de afrouxar a doutrina.
- Situações difíceis: Ser chamado para dar sentido a uma morte sem sentido.
- Inseguranças: Teme estar oferecendo consolo em que ele próprio não acredita.
- Desafios físicos ou sociais: Setenta anos e um corpo que não acompanha mais a rota entre os abrigos.
5. Crenças e Valores
- Religião: Pastor formado, hoje ecumênico por decisão prática.
- Espiritualidade: Acredita menos em Deus e mais no que as pessoas fazem quando se reúnem.
- Crenças políticas: Acha que os três abrigos precisam de um foro que não seja a Torre.
- Filosofias: O perdão não é para quem fez. É para quem ficou.
6. História de Vida
- Tragédias: Enterrou cento e quarenta e dois corpos durante a Fome, sozinho, e perdeu a fé em algum ponto entre o número oitenta e o número cem.
- Conquistas: Mediou a trégua da água ao lado de Manuel e continua sendo o único aceito pelos três.
- Perdas: A esposa, dois netos, a congregação antiga e a fé, nessa ordem.
- Aventuras: Caminhou quatro dias com a bengala para enterrar um menino que a Represa não deixou entrar.
7. Ambiente e Contexto
- Ambiente social: Respeitado pelos três abrigos, o que é raríssimo.
- Ambiente econômico: Vive de doação e reparte tudo no mesmo dia.
- Ambiente político: É a única autoridade moral que os três aceitam, e sabe o peso disso.
8. Saúde
- Saúde mental: Lúcido e cansado; um vazio que ele nomeia como noite escura.
- Saúde física: Quadril arruinado, coração fraco, anda cada vez menos.
9. Relacionamentos
Formato: Papel (tipo de vínculo): Função (Nome). Ver a teia já montada em Elenco.
- Quem o acusa de afrouxar (conflito): Religioso Devoto (Matheus)
- Quem ele quer preparar para o lugar dele (desejo): Assistente Social (Rosângela)
- Quem usa o nome dele sem pedir (conflito): Político (Manuel)
- Quem o carrega quando ele não anda (risco): Cozinheiro (Wanderson)
10. Motivações
- Objetivo: Reconciliar Oficina e Represa numa cerimônia que os dois aceitem.
- Desejo: Contar a alguém que perdeu a fé no ano 3.
- Ambição: Um velório coletivo pelos mortos sem corpo dos sete anos.
- Razão que impulsiona ações e escolhas: Enterrou cento e quarenta e dois e não conseguiu rezar por nenhum dos últimos quarenta.
Leitura
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Líder Religioso
Conceito
Seu nome era Irmão Caio, mas poucos o chamavam assim. Para a maioria, ele era apenas “a Voz” — uma figura que atravessava os corredores com serenidade e propósito, como se caminhasse por um templo invisível em meio ao concreto desbotado da empresa. Ninguém sabia ao certo como ele havia conseguido aquele cargo. Oficialmente, era parte de um programa de apoio espiritual aos funcionários. Extraoficialmente, diziam que ele havia sido convidado após um colapso moral em massa no setor de alta liderança, anos atrás.
Irmão Caio não usava hábitos ou símbolos evidentes de fé. Sua presença era o bastante. Tinha uma voz baixa, límpida, que parecia sussurrar diretamente para as vísceras de quem o ouvia. Ele não pregava — não do jeito convencional. Suas palavras vinham como perguntas, nunca como afirmações. “Você se sente em paz com o que fez hoje” era o tipo de frase que murmurava com um sorriso quase paternal. A pergunta não era retórica. Nem precisava de resposta. O desconforto vinha de dentro.
Ele oferecia aconselhamento espiritual, mas raramente mencionava divindades. Sua fé era difusa, talvez deliberadamente ambígua. Misturava filosofia estoica com princípios de misericórdia e disciplina. Para alguns, era um iluminado. Para outros, um manipulador disfarçado de santo. Mas até os mais céticos evitavam enfrentá-lo. Não por medo — mas porque, de alguma forma, ele sempre fazia você rever sua própria postura.
Nos bastidores, rumores circulavam de que Irmão Caio tinha influência sobre decisões cruciais. Supostamente, executivos iam a ele antes de autorizar demissões em massa. Gerentes buscavam sua bênção antes de fechar parcerias arriscadas. E, nos corredores, sussurrava-se que até mesmo o departamento de segurança o consultava… discretamente.
A verdade é que ninguém conseguia dizer com precisão se ele guiava as pessoas para a redenção — ou para o abismo. Era hábil em ler intenções, identificar medos e catalisar arrependimentos. Sua habilidade se manifestava em momentos críticos: ele podia fazer alguém hesitar num ataque, confessar uma sabotagem, ou perdoar um erro imperdoável. Sempre com serenidade. Sempre com aquele olhar que atravessava a carne.
Na estrutura de Conduta, o Líder Religioso é uma peça enigmática. Sua conduta é, por natureza, desconhecida — e sua influência emocional, espiritual e moral pode beneficiar ou prejudicar qualquer time, dependendo da fé que ele deposita… e da fé que exige em troca.
Porque, no fim, Irmão Caio não julga. Ele revela. E quando a alma se desnuda diante dele, resta apenas uma escolha: mudar… ou ser devorado pela culpa.