Conduta - Cozinheiro
Excerpt
Cozinheiro
Proposta, não canônico
Casting gerado para avaliação, não veio do board Histórias - Conduta. Estrutura em Template - Ficha de Personagem. Ver status em Elenco.
Ficha
1. Identidade
| Campo | Valor |
|---|---|
| Nome | Wanderson |
| Função | Cozinheiro |
| Idade | 39 |
| Data de nascimento | 02/jul |
| Signo | Câncer |
| Altura | 1,78 m |
| Aparência | Pardo de pele morena, cabelos pretos raspados, corpo robusto, queimaduras antigas nos antebraços |
| Orientação sexual | Heterossexual |
| Gênero | Masculino |
| Origem étnica | Parda (brasileira) |
2. Personalidade e Emoções
- Personalidade: Comunicativo, prático, acolhedor e organizado; alimenta primeiro e conversa depois.
- Caráter: Reparte até quando não tem; já ficou sem jantar mais vezes do que admite.
- Virtude: Tira refeição de onde não tem; conhece toda planta comestível da região.
- Defeito: Controlador na cozinha; ninguém encosta em nada sem a ordem dele.
- Hobbie: Testa combinação nova com o que aparece e anota o que deu certo num caderno engordurado.
- Interesse: Fixar um cardápio que aproveite o que a estufa de Carla realmente produz.
- Humor: Alto e generoso, ri da própria comida quando dá errado.
- Vício: Prova tudo o tempo todo; come em pé o dia inteiro e nunca senta para uma refeição.
- Fobia: Faltar comida no meio de um serviço, com a fila já formada.
- Aversão: Desperdício. Já brigou feio por casca jogada fora.
3. Comportamento e Estilo de Vida
- Estilo de fala (linguagem): Alto, rápido, chama todo mundo pelo apelido, grita na cozinha e abraça na saída.
- Vestimenta: Avental verde encardido sobre camiseta, pano no ombro, tamanco de madeira.
- Expressão corporal: Grande e rápido; ocupa a cozinha inteira e não esbarra em nada.
- Comportamento cotidiano: Cozinha para a Oficina e treina quem quiser aprender a cozinhar sem gás.
4. Conflitos
- Dilemas morais: Sabe que a ração que serve está sendo cortada antes de chegar nele, e continua servindo.
- Lutas emocionais: Alimenta duzentas pessoas e não consegue perguntar a ninguém como ele está.
- Adversários: Marlon, que controla o estoque, e a própria teimosia.
- Situações difíceis: Ter que diluir a sopa na frente de quem vai receber.
- Inseguranças: Teme que quando a comida acabar de vez, ninguém tenha motivo para procurá-lo.
- Desafios físicos ou sociais: Perdeu parte da sensibilidade das mãos nas queimaduras; cozinha pela cor e pelo cheiro.
5. Crenças e Valores
- Religião: Umbanda, praticante discreto, com guia no pescoço por baixo da camisa.
- Espiritualidade: Acredita que comida feita com raiva faz mal de verdade.
- Crenças políticas: Acha que quem controla o estoque manda mais que quem controla a arma.
- Filosofias: Mesa cheia resolve mais briga que assembleia.
6. História de Vida
- Tragédias: Era cozinheiro de hospital em 2039. Ficou onze dias servindo o que restava enquanto os pacientes morriam de outras coisas, e aprendeu a calcular quanta gente uma panela salva.
- Conquistas: Nunca deixou a Oficina passar um dia inteiro sem refeição quente, nem no Inverno.
- Perdas: A mulher e a filha na Fome, na mesma semana, enquanto ele estava no hospital.
- Aventuras: Foi até a mata atrás de palmito e voltou com uma receita que virou o prato do abrigo.
7. Ambiente e Contexto
- Ambiente social: Central e querido; a cozinha é o ponto de encontro da Oficina.
- Ambiente econômico: Administra o segundo maior estoque da Oficina depois da estufa.
- Ambiente político: Neutro por vocação e vigiado por quem quer o estoque.
8. Saúde
- Saúde mental: Trabalha para não pensar; nunca falou da mulher e da filha em voz alta.
- Saúde física: Forte, hipertenso, mãos com sensibilidade reduzida.
9. Relacionamentos
Formato: Papel (tipo de vínculo): Função (Nome). Ver a teia já montada em Elenco.
- Quem controla o estoque (conflito): Magnata (Marlon)
- Quem cozinha com ele (desejo): Garçom (Luis Carlos)
- Quem corta a ração antes de chegar (conflito): Militar (Cleide)
- Quem o observa e ele não percebe (risco): Bibliotecário (Otávio)
10. Motivações
- Objetivo: Refeição quente por dia na Oficina, todos os dias, sem exceção.
- Desejo: Sentar e comer com alguém, uma vez, sem estar servindo.
- Ambição: Um cardápio que dependa só do que a região produz.
- Razão que impulsiona ações e escolhas: Estava servindo sopa a estranhos quando a mulher e a filha morreram, e não para de servir desde então.
Leitura
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Ambientado numa empresa/corporação, não no abrigo pós-nuclear de Narrativa. Nomes e fatos abaixo não são canônicos — ver Elenco. Todos o conheciam apenas como Dimas. Nenhum crachá, nenhum sobrenome. Para os registros oficiais da empresa, era um prestador de serviço terceirizado do refeitório. Mas para aqueles que conviviam com ele, Dimas era muito mais do que um cozinheiro. Era uma presença constante, uma testemunha silenciosa dos bastidores mais íntimos da corporação.
Dimas estava lá desde antes da última fusão, desde antes do atual CEO, desde antes da troca de prédio. Ele atravessara crises econômicas, escândalos internos e reformulações administrativas. Sempre no mesmo horário, com o mesmo avental manchado e o mesmo rádio antigo ligado baixinho, tocando músicas que ninguém mais lembrava o nome.
Ninguém sabia muito sobre sua vida fora dali. Alguns diziam que ele fora chefe de cozinha em um restaurante premiado. Outros, que servira nas forças armadas e aprendera a cozinhar no campo. Havia até quem murmurasse que Dimas havia cometido um crime grave no passado e que o emprego no refeitório era parte de um acordo velado com a diretoria. Mas ele nunca confirmava nada. Apenas sorria com os olhos semicerrados e dizia: “Comida boa não julga ninguém.”
Mas havia algo nos olhos de Dimas — um olhar que observava demais. Ele sabia quem almoçava com quem, quem parava de comer após uma reunião tensa, quem bebia demais o café quando estava ansioso. Ele conhecia os hábitos alimentares de todos os departamentos e lembrava de cada restrição, preferência ou alergia sem jamais precisar perguntar duas vezes. Mas, acima de tudo, ele percebia o silêncio. Sabia quando alguém estava evitando olhar outro colega. Sabia quando um prato deixado de lado escondia culpa.
E às vezes, oferecia algo especial. Um pão caseiro que não estava no cardápio. Um chá que “ajudava com dores de cabeça”. Uma sobremesa extra, “porque você pareceu precisar”. Ele não explicava — apenas entregava. Era nesses pequenos gestos que Dimas intervinha no jogo. Comida, para ele, era ferramenta de conforto, sim, mas também de influência.
No universo de Conduta, o Cozinheiro é de conduta da ordem. Sua habilidade pode ser usada uma única vez por partida e permite interromper o efeito de qualquer habilidade maligna usada contra outro jogador, como se tivesse “antídoto no prato certo”. Mas ele só pode usar essa habilidade após observar a mesa por um turno completo — precisa entender quem realmente está em risco.
Dimas nunca levanta a voz. Nunca confronta ninguém. Mas enquanto todos se devoram por poder, ele observa, cozinha… e decide quem continua alimentado — e quem fica com fome.