Conduta - Músico
Excerpt
Músico
Proposta, não canônico
Casting gerado para avaliação, não veio do board Histórias - Conduta. Estrutura em Template - Ficha de Personagem. Ver status em Elenco.
Ficha
1. Identidade
| Campo | Valor |
|---|---|
| Nome | Ariel |
| Função | Músico |
| Idade | 19 |
| Data de nascimento | 08/jun |
| Signo | Gêmeos |
| Altura | 1,69 m |
| Aparência | Pardo de pele morena, cabelos castanhos cacheados e longos, corpo esguio, esmalte descascado e corda de violão no pulso |
| Orientação sexual | Bissexual |
| Gênero | Não binário |
| Origem étnica | Parda (brasileira) |
2. Personalidade e Emoções
- Personalidade: Reservado, concreto, sensível e espontâneo; observa mais do que fala e toca o que não consegue dizer.
- Caráter: Não sabe fingir; se está mal, o abrigo inteiro percebe pelo som.
- Virtude: Consegue mudar o clima de um lugar em três acordes.
- Defeito: Impulsivo com as próprias emoções; some por dias sem avisar ninguém.
- Hobbie: Afina instrumento quebrado dos outros e devolve sem cobrar.
- Interesse: Recuperar as músicas que os mais velhos lembram pela metade.
- Humor: Tímido, riso de canto, piada que só quem está perto ouve.
- Vício: Toca a mesma passagem por horas até tirar o pensamento da cabeça.
- Fobia: Ficar surdo. Já teve zumbido e passou uma semana sem dormir.
- Aversão: Ser mandado tocar. E gente que fala por cima da música.
3. Comportamento e Estilo de Vida
- Estilo de fala (linguagem): Frases curtas, muitas pausas, responde cantando quando não quer responder.
- Vestimenta: Camiseta amarela desbotada, calça larga remendada, sempre descalço dentro do abrigo.
- Expressão corporal: Encolhido quando escuta, inteiro quando toca; não consegue ficar parado.
- Comportamento cotidiano: Toca na rádio da Torre e acompanha Carmen; passa o resto do dia consertando instrumento.
4. Conflitos
- Dilemas morais: A Torre paga bem para tocar o que acalma, e ele sabe qual verso está sendo cortado.
- Lutas emocionais: Cresceu inteiro dentro do colapso e não sabe se o que sente é tristeza ou é o mundo.
- Adversários: Ninguém, e isso o incomoda, porque parece que ninguém o leva a sério.
- Situações difíceis: Ser apresentado como “o filho de alguém” e não pelo nome.
- Inseguranças: Acha que só é chamado porque é o único que sobrou tocando.
- Desafios físicos ou sociais: Tinha doze anos no colapso; não tem lembrança de um mundo com energia estável.
5. Crenças e Valores
- Religião: Nenhuma. Foi criado sem.
- Espiritualidade: Acredita que música é o jeito de falar com quem já foi.
- Crenças políticas: Não entende e não finge que entende.
- Filosofias: Toda melodia é uma pessoa tentando dizer uma coisa difícil.
6. História de Vida
- Tragédias: O pai morreu no Inverno e deixou um violão. Ariel aprendeu sozinho para não perder o som que o pai fazia, e nunca conseguiu reproduzir.
- Conquistas: É a segunda voz de todas as transmissões da Torre desde os dezessete.
- Perdas: O pai, a infância inteira e a memória de como era silêncio bom.
- Aventuras: Tocou seis horas seguidas na noite do apagão do ano 6 para as pessoas não entrarem em pânico no escuro.
7. Ambiente e Contexto
- Ambiente social: Adotado por todo mundo e responsabilidade de ninguém.
- Ambiente econômico: Recebe em comida quando toca; passa fome quando não.
- Ambiente político: Alheio, e por isso usado pelos três abrigos.
8. Saúde
- Saúde mental: Oscilação de humor forte, isolamento em ciclos.
- Saúde física: Magro demais, zumbido no ouvido esquerdo, mãos calejadas.
9. Relacionamentos
Formato: Papel (tipo de vínculo): Função (Nome). Ver a teia já montada em Elenco.
- Quem canta com Ariel (desejo): Cantora (Carmen)
- Quem manda tocar o que acalma (conflito): Político (Manuel)
- Quem o trata como criança (conflito): Babá (Ivone)
- Quem escreve as letras com Ariel (risco): Escritora (Kauane)
10. Motivações
- Objetivo: Registrar as músicas dos mais velhos antes que os últimos morram.
- Desejo: Tirar de ouvido o jeito exato que o pai tocava.
- Ambição: Que alguém aprenda com Ariel como Ariel aprendeu sozinho.
- Razão que impulsiona ações e escolhas: Enquanto tocar, o som do pai ainda existe em algum lugar.
Leitura
Texto placeholder
Ambientado numa empresa/corporação, não no abrigo pós-nuclear de Narrativa. Nomes e fatos abaixo não são canônicos — ver Elenco. Ninguém sabia ao certo quando ele começou a trabalhar ali — alguns diziam que sempre esteve. Outros juravam que ele era apenas um freelancer chamado para eventos internos. Mas, de algum modo, o Músico estava presente em todas as ocasiões que exigiam memória: confraternizações, despedidas, aniversários ou os raros momentos em que alguém confessava algo sério demais no refeitório.
Seu nome verdadeiro era Dion. Ou pelo menos, era assim que se apresentava. Carregava o violão como se fosse parte do corpo, mas o usava menos do que se imaginava. Dion preferia escutar. Era um homem de silêncios entre notas, de olhares que percorriam uma sala e extraíam harmonias do caos humano. Às vezes, um simples murmúrio dele desmontava discussões. Outras vezes, uma canção entoada baixinho gerava alianças improváveis. Ele parecia entender o que cada um precisava ouvir.
Mas o que ninguém percebia — ou fingia não perceber — era que ele também estava presente em momentos desconcertantes. Um surto no almoxarifado. Um erro financeiro que levou a uma demissão. Um desaparecimento silencioso no setor de compliance. E lá estava Dion, sempre com um tom melancólico ou uma canção quase esquecida, como se previsse os desfechos antes deles acontecerem.
Seus colegas diziam que ele compunha sobre tudo. Mas ninguém nunca viu um caderno, uma partitura, nem gravações. Suas músicas vinham do nada. E eram perfeitas para o momento. Isso incomodava os mais racionais. Encantava os mais sensíveis. Assustava os mais atentos.
Há rumores de que Dion usava a música como arma. Não no sentido literal, mas emocional. Ele sabia como dobrar a moral de alguém, reforçar uma crença ou confundir um julgamento — tudo com acordes menores ou letras sutis que tocavam feridas pessoais. Era um encantador, sim, mas não um ingênuo. Dion conhecia a escuridão dos corredores mais do que deixava transparecer.
No jogo de Conduta, o Músico é um agente emocional, um sussurro que paira entre as certezas. Sua habilidade pode desestabilizar ou fortalecer. Pode curar um trauma… ou amplificá-lo. É impossível saber se está compondo para aliviar consciências ou provocar rupturas. Sua conduta é, portanto, desconhecida — uma sinfonia de intenções ambíguas.
Porque, para Dion, não existe bem ou mal absoluto. Apenas notas mal colocadas ou silêncios ensurdecedores. E, no fim das contas, ele é o único que realmente escuta o que todos tentam esconder.