Conduta - Estilista

Excerpt

Estilista


Seu nome era Harumi Akiyama, mas poucos se davam ao trabalho de perguntar. Para a maioria, ela era apenas “a Estilista” — presença constante e elegante nos corredores da empresa, mesmo quando o código de vestimenta pedia discrição. Não era arrogância; era precisão. Cada peça em seu corpo parecia ter sido escolhida com um cálculo exato entre impacto visual e mensagem emocional. Onde os outros viam moda, ela via linguagem.

Harumi não integrava nenhuma divisão oficial da empresa. Seu crachá não indicava um departamento, apenas uma função enigmática: Consultora de Imagem e Ambiente. Mas os veteranos sabiam que ela era muito mais do que isso. Quando uma campanha importante era lançada, era ela quem definia os tons, as texturas, os figurinos. Quando um novo executivo era contratado, era ela quem o recebia com um olhar clínico e um comentário sutil: “Camisas claras suavizam a rigidez da sua expressão.”

A maioria das pessoas a subestimava. Pensavam que ela era só mais uma artista visual com gosto apurado. Mas Harumi entendia o poder simbólico das roupas, das cores, das formas. Sabia que a aparência podia inspirar confiança, medo, desejo ou respeito. E mais: sabia como manipular essas percepções. A imagem era sua arma — e ela a manejava com delicadeza cirúrgica.

Durante as fases de votação no ambiente de Conduta, Harumi se transformava. Observava tudo: os tiques nervosos, as dobras das camisas, os sorrisos forçados. Percebia quem evitava olhar nos olhos, quem suava sob um paletó de tecido grosso, quem arrumava os punhos como se quisesse esconder algo. Seus julgamentos raramente eram baseados em palavras. Ela lia sinais. E, quando falava, suas frases vinham com cortes precisos, como uma tesoura de alfaiate.

“Você escolheu essa jaqueta para se proteger, ou para se impor”, perguntava com uma leveza inquietante.

Sua habilidade não era apenas estética. Ela podia mudar o destino de um jogador com uma sugestão: alterar uma peça de roupa, ajustar uma postura, revelar um detalhe visual que denunciava muito mais do que o pretendido. Harumi entendia que, no mundo corporativo de Conduta, aparência e verdade eram raramente a mesma coisa — mas podiam ser confundidas o suficiente para virar o jogo.

A Estilista possui conduta desconhecida. Seus objetivos permanecem ambíguos, e seu impacto é sempre sutil, mas devastador. Em um ambiente onde todos observam e julgam, ela controla o palco e a cortina — e, às vezes, até o figurino do vilão.

Porque, no fim, Harumi não veste corpos. Ela veste intenções. E sabe exatamente quando é hora de rasgar a máscara.