Conduta - Modelo

Excerpt

Modelo


Ele atendia pelo nome artístico de Cael, uma simplificação do seu nome de batismo — Caetano Elias. Para o mundo da moda, era um rosto inesquecível: mandíbula marcada, olhar intenso, postura que oscilava entre o altivo e o vulnerável. Mas para os corredores de Conduta, Cael era algo além da estética. Era um espectro de vaidade, manipulação e estratégia, desfilando entre setores como quem percorre uma passarela invisível, onde cada gesto é calculado.

Ninguém sabia exatamente o motivo de ele estar ali. A explicação oficial era uma parceria experimental com uma agência de talentos, uma ação para reforçar a imagem da empresa. Mas os mais atentos percebiam que Cael transitava com liberdade incomum entre departamentos, trocava confidências com diretores e escutava mais do que falava. Seu dom verdadeiro não era a beleza — era a presença. Onde ele estivesse, todos o notavam. E onde todos o notavam, as máscaras caíam.

Cael sabia observar. Um sussurro aqui, um silêncio tenso ali. Colecionava microexpressões como troféus e sabia exatamente quando entrar numa conversa — e, principalmente, quando sair. Compreendia as inseguranças das pessoas como estilistas compreendem tecidos: sabia onde pressionar, onde ceder, onde costurar alianças temporárias. Sua habilidade o tornava uma ameaça invisível. Poucos sabiam se ele estava do seu lado. Mas todos queriam estar do lado dele.

Não era arrogante. Era magnético. Conversava com estagiários e altos executivos com a mesma entonação suave, sempre com olhos que pareciam ver além da fala. Nunca prometia nada. Mas deixava os outros acreditarem que poderiam conquistá-lo. E era nessa expectativa que muitos cometiam erros — confiavam demais, entregavam demais, queriam agradá-lo.

Há quem diga que Cael já evitou pelo menos três sabotagens internas apenas com charme e uma sobrancelha arqueada. Outros afirmam que ele testemunhou traições graves, mas optou por não interferir. Não por desinteresse — mas porque sabia que, mais cedo ou mais tarde, tudo se revelaria. Ele era um estrategista paciente. Um observador de vaidades alheias, mesmo quando a sua própria imagem era o espelho mais forte.

Na estrutura de Conduta, o Modelo de Passarela (homem) carrega uma conduta desconhecida. Pode usar sua influência para instigar rupturas ou costurar alianças improváveis. Sua habilidade gira em torno de leitura social, timing emocional e manipulação estética — elementos sutis, mas potencialmente letais.

Porque em Conduta, nem todo veneno vem em frascos escuros. Alguns desfilam sob luzes, sorrisos e flashes.