Conduta - Médico

Excerpt

Médico


Proposta, não canônico

Casting gerado para avaliação, não veio do board Histórias - Conduta. Estrutura em Template - Ficha de Personagem. Ver status em Elenco.

Ficha

1. Identidade

CampoValor
NomeIracema
FunçãoMédico
Idade43
Data de nascimento05/jun
SignoGêmeos
Altura1,60 m
AparênciaIndígena de pele morena, cabelos pretos lisos e longos, corpo magro, olheiras fundas e mãos muito firmes
Orientação sexualHeterossexual
GêneroFeminino
Origem étnicaIndígena (brasileira)

2. Personalidade e Emoções

  • Personalidade: Introvertida, abstrata, analítica e metódica; fala pouco e decide sem hesitar.
  • Caráter: Trata quem chegar, inclusive quem ela detesta, e cobra isso de todos.
  • Virtude: Disciplinada sob pressão; opera com a mão firme depois de trinta horas de plantão.
  • Defeito: Fria no trato; comunica morte com a mesma voz com que pede material.
  • Hobbie: Desenha instrumento cirúrgico que gostaria de ter e pede ao Gilmar para tentar fazer.
  • Interesse: Formar duas pessoas capazes de suturar sem ela por perto.
  • Humor: Praticamente inexistente durante o expediente, e o expediente é sempre.
  • Vício: Não delega. Refaz o curativo que outro já fez.
  • Fobia: Precisar escolher qual dos dois pacientes recebe o último antibiótico. Já aconteceu duas vezes.
  • Aversão: Reza no lugar de tratamento. E quem esconde sintoma por vergonha.

3. Comportamento e Estilo de Vida

  • Estilo de fala (linguagem): Econômica e precisa, sem eufemismo; explica procedimento sem adoçar.
  • Vestimenta: Jaleco azul lavado até ficar quase branco, cabelo preso, calçado fechado sempre.
  • Expressão corporal: Contida e exata; nenhum movimento sobrando.
  • Comportamento cotidiano: Atende os três abrigos na enfermaria da Oficina e faz a triagem de quem entra.

4. Conflitos

  • Dilemas morais: Sabe do coração de Manuel e do jejum de Matheus, e o sigilo dela sustenta os dois no poder.
  • Lutas emocionais: Salva gente todo dia e não consegue conversar com ninguém por mais de dez minutos.
  • Adversários: Cleide, que quer prioridade militar na fila, e Matheus, que reza em vez de trazer o doente.
  • Situações difíceis: Triagem em massa. É boa nisso e detesta ser boa nisso.
  • Inseguranças: Teme que a frieza que a mantém funcionando já a tenha comido por dentro.
  • Desafios físicos ou sociais: É a única médica da região; não pode adoecer e não tem substituto.

5. Crenças e Valores

  • Religião: Nenhuma. A avó era rezadeira e ela respeita sem praticar.
  • Espiritualidade: Acredita no corpo e no que ele aguenta.
  • Crenças políticas: Acha que o abrigo que controla o remédio controla tudo, e por isso não deixa ninguém controlar.
  • Filosofias: Quem chega primeiro não é quem mais precisa.

6. História de Vida

  • Tragédias: Era cirurgiã em 2039. Operou trinta e uma horas seguidas no dia do colapso e perdeu vinte e dois pacientes por falta de energia, um a um, conforme os geradores paravam.
  • Conquistas: Montou do zero a enfermaria que é o motivo de a Represa não invadir a Oficina.
  • Perdas: O marido no ano 1, a irmã no Inverno e a capacidade de sentir alguma coisa em óbito.
  • Aventuras: Amputou uma perna à luz de lampião durante um temporal, com Gilmar segurando o gerador.

7. Ambiente e Contexto

  • Ambiente social: Indispensável e solitária; procurada só por quem está doente.
  • Ambiente econômico: A Oficina lhe dá tudo; ela pede muito pouco.
  • Ambiente político: A pessoa mais protegida dos três abrigos, porque perdê-la mata todo mundo.

8. Saúde

  • Saúde mental: Anestesia emocional profunda; não chora desde 2039.
  • Saúde física: Exausta cronicamente, coluna comprometida, tremor de fadiga.

9. Relacionamentos

Formato: Papel (tipo de vínculo): Função (Nome). Ver a teia já montada em Elenco.

  • Quem quer prioridade militar na fila (conflito): Militar (Cleide)
  • Quem ela quer formar (desejo): Assistente Social (Rosângela)
  • Quem reza em vez de trazer o doente (conflito): Religioso Devoto (Matheus)
  • Quem constrói o instrumental dela (risco): Zelador (Gilmar)

10. Motivações

  • Objetivo: Formar duas pessoas capazes de operar sem ela.
  • Desejo: Dormir uma noite inteira sem ser chamada.
  • Ambição: Enfermaria abastecida que atenda os três abrigos por regra e não por favor.
  • Razão que impulsiona ações e escolhas: Viu vinte e dois pacientes morrerem conforme os geradores paravam e nunca mais aceitou depender de uma única fonte.

Leitura

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Ambientado numa empresa/corporação, não no abrigo pós-nuclear de Narrativa. Nomes e fatos abaixo não são canônicos — ver Elenco. O doutor se chamava Henrique Velasques. Alto, de semblante calmo e olhos que pareciam jamais piscar, ele era uma figura paradoxal dentro da estrutura de Conduta. Enquanto o restante da empresa cultivava tensão e competitividade, Henrique cultivava silêncio. Ele andava devagar, como se carregasse nos ombros o peso das vidas que já salvou… e das que não conseguiu.

Era difícil imaginar como alguém com tamanha vocação humanitária havia parado ali. As más línguas diziam que ele fora contratado para cuidar do bem-estar dos funcionários, mas na prática agia como uma espécie de confessor silencioso. Seu consultório era uma sala modesta, sem símbolos religiosos, sem diplomas pendurados. Apenas uma maca, uma luz suave e uma cadeira — sempre puxada para frente, sinalizando: “Você é importante aqui”.

Henrique raramente fazia perguntas invasivas. Suas palavras eram medidas, mas não frias. Tinha o dom de fazer os outros falarem, e quando falavam… não era raro que chorassem. Porque ele não ouvia só o que diziam: ouvia o que tentavam esconder.

Dizem que ele passou por algo terrível durante uma epidemia, anos antes. Que perdeu pessoas demais. Que, desde então, recusa-se a trabalhar em hospitais. Dizem que ele só topou o emprego em Conduta porque aqui, de alguma forma perversa, podia agir antes que o mal se espalhasse.

Ele não fazia alianças. Ajudava quem precisava, independentemente de seus valores ou intenções. Isso irritava muita gente. Mas ninguém conseguia acusá-lo diretamente. Ele era técnico demais para ser considerado uma ameaça, mas humano demais para ser descartado.

Sua habilidade de conduta da ordem reflete essa ética inabalável: uma vez por jogo, o Médico pode proteger um jogador contra qualquer efeito direto — seja uma investigação, um bloqueio ou até uma tentativa de ataque. A proteção precisa ser declarada durante a votação, e Henrique nunca protege a si mesmo.

Curiosamente, ele não avisa a quem está protegendo. Age em silêncio. Seu cuidado não exige reconhecimento. Isso faz com que sua influência passe despercebida, até que seja tarde demais.

Para os aliados, é um anjo disfarçado. Para os inimigos, um problema que não se pode simplesmente remover — porque ele não ataca, não acusa, não ameaça. Apenas está ali… curando, ouvindo, impedindo o colapso moral de um ambiente que insiste em adoecer.

Doutor Henrique Velasques não salva o jogo. Salva as pessoas. E em Conduta, isso o torna mais perigoso do que qualquer arma.