Conduta - Hacker

Excerpt

Hacker


Chamavam-no de Félix, mas ele nunca confirmou esse nome. O crachá dizia “Consultor de Segurança de Dados”, uma descrição vaga o suficiente para não levantar perguntas e larga o bastante para permitir que ele transitasse por diversos setores sem precisar justificar sua presença.

Félix não falava muito. Sempre de fones, olhos semicerrados e dedos inquietos, como se digitasse códigos invisíveis no ar. Vestia-se como um programador que desistiu de se encaixar: jeans gastos, moletons largos, botas velhas de quem nunca confiou no piso. Dizia que os sistemas da empresa eram frágeis, mas ninguém levava isso a sério até os primeiros vazamentos — discretos, quase imperceptíveis. Um dado fora de lugar aqui, um protocolo corrompido ali. Mas tudo parecia ruído técnico… até que deixou de parecer.

Ele entendia de redes, sim — mas redes sociais, redes privadas, redes de mentiras. E por mais que soubesse como invadir uma máquina, sua especialidade real era invadir pessoas. Vasculhava históricos de navegação, padrões de comportamento digital, pausas incomuns para café. Félix não hackeava arquivos. Ele hackeava rotinas. E era eficiente nisso.

Havia quem acreditasse que ele já sabia de toda a estrutura da empresa muito antes de ser contratado. Outros juravam que ele fora plantado por um grupo externo. Ou talvez não estivesse a serviço de ninguém, a não ser de si mesmo — apenas alguém jogando um jogo dentro do jogo, testando os limites da influência e do sigilo. A verdade é que ele parecia sempre um passo à frente, como se soubesse quem estava mentindo antes mesmo do mentiroso perceber.

No ambiente paranoico instaurado após os primeiros conflitos internos, muitos passaram a desconfiar de Félix. Ele parecia saber demais. Mas era também o único capaz de restaurar sistemas corrompidos, ocultar rastros ou gerar informações falsas para proteger aliados. Isso o tornava um trunfo perigoso, mas necessário.

No universo de Conduta, o Hacker é a sombra entre os cabos. Ele pode manipular dados, alterar resultados de investigações, ou interceptar ações de outros jogadores — mas suas escolhas sempre têm um custo. Às vezes, o custo é a confiança. Outras, é a própria verdade. Seu impacto é quase invisível, mas decisivo. Félix é o tipo de peça que pode desestabilizar um time inteiro sem precisar levantar da cadeira. Sua condutaVersátil. Incerta. Intrusiva.

Ele não precisa que acreditem nele. Só precisa de acesso.