Jogador Morto (Espectador)

Resumo

Define a experiência de quem morre e permanece na partida como espectador. O GDD de Anotações já tratava do compartilhamento de anotações ao morrer, mas não da UX de continuar na sessão — esta nota fecha isso. O morto vira um observador de informação plena: vê o chat dos vivos, vê a votação em tempo real e vê as funções reveladas dos outros mortos. Em troca, fica completamente isolado de poder influenciar a partida (nenhum canal morto → vivo) e pode sair a qualquer momento sem penalidade. A diretriz estética é fugir da fantasia: a morte no Conduta não é tratada como “fantasma” — o que abre uma pendência narrativa sobre como (e se) os mortos conversam entre si.

Esta nota registra as decisões do card Definir UX do jogador morto (spectator) — issue #189 (2026-06-01).

Princípio: morte sem fantasma

A decisão direcional que orienta todo o resto: a UX do morto evita o clichê do fantasma / mundo dos mortos. O universo do Conduta é uma distopia brasileira aterrada (ver Economia e a Narrativa), não um cenário sobrenatural. Por isso:

  • Nada de estética de espírito, “além”, ou poderes de assombração.
  • A morte é eliminação — o jogador saiu do jogo, mas pode ficar assistindo.
  • Qualquer canal de comunicação entre mortos (se existir) precisa de um enquadramento diegético plausível dentro do mundo do jogo, não de uma convenção de gênero. Ver Chat entre mortos.

O que o morto pode fazer

Mapa direto das perguntas do card para o que foi decidido:

Pergunta do cardDecisão
Pode ver o chat dos vivos? (afeta gameplay)Sim — em modo leitura. Escrever no chat dos vivos permanece bloqueado (ver Muralha).
Pode ver funções reveladas dos outros mortos?Sim — conforme as funções vão sendo reveladas pela morte/eventos, o espectador as vê.
Pode sair sem penalidade?Sim — abandonar após a morte não gera penalidade de AFK/Sanções.
Ver votação dos vivos em tempo real?Sim — acompanha quem está votando em quem, ao vivo.
UI diferenciada (filtro de ‘morto’)?Sim, mas não-fantasma — existe um estado visual claro de “morto/espectando”; o tratamento exato fica com arte. Ver UI diferenciada.

O morto é, portanto, um espectador de informação plena: enxerga praticamente tudo que acontece na mesa. Isso é seguro apenas por causa da muralha abaixo.

Muralha morto → vivo

O ponto que torna “ver tudo” aceitável: o morto não pode, por nenhum canal interno do jogo, transmitir informação aos vivos.

  • Read-only no chat dos vivos: o morto mas não escreve no chat público. (Confirmação explícita pendente — o card decidiu “ver”, e a inferência de design é que escrever quebra o jogo.)
  • Sem reações/sinais visíveis aos vivos: o morto não pode emitir emotes, marcações ou qualquer indicador que os vivos consigam observar.
  • Anotações já foram resolvidas no momento da morte (uma linha pode ser compartilhada — ver Anotações); depois de morto, o jogador não injeta novas anotações na partida.
  • Vazamento por canais externos (chamada de voz fora do app, Discord) está fora do que o design controla, mas nada no produto deve facilitar isso.

Sem essa muralha, “o morto vê o chat, os votos e as funções” seria desastroso — o morto tem informação quase perfeita. A regra de ouro: informação flui só na direção vivos → morto, nunca morto → vivo.

Permanecer na partida vs. sair

O card aponta que o GDD não cobria “a UX de permanecer na partida”. Decisão:

  • Morrer não expulsa o jogador — ele entra em modo espectador e pode continuar assistindo até o fim (útil para a catarse da Win Screen e para aprender lendo as jogadas).
  • Ficar é opcional: o jogador pode sair quando quiser, sem penalidade.
  • Sair como morto leva o jogador de volta ao menu/lobby; a partida segue para os vivos sem qualquer impacto (o morto não ocupa vaga ativa).

Atividade do morto: minijogos e apostas

Para dar ao eliminado um motivo de ficar (retenção) em vez de só assistir, o tempo de morto abre acesso a minijogos e a uma aposta no resultado — detalhados em Minijogos e Apostas. Desde 2026-06-29 são coisas separadas:

  • Minijogos (jogo da velha, pong, pedra-papel-tesoura, dados), jogados sozinho contra um bot, sem aposta e sem recompensa — puro passatempo.
  • Aposta no resultado (sistema à parte, não é minijogo): apostar Reputação no time que vai vencer. Frente econômica ainda em aberto.

A aposta no resultado interage diretamente com a Muralha: como o morto vê tudo, apostar no resultado da própria partida é um risco de informação privilegiada — as mitigações estão em Minijogos e Apostas.

Penalidades e recompensas ao sair

  • Sem penalidade ao sair morto: diferente do abandono de um jogador vivo (que cai em AFK → sem XP, auto-report, virar bot via Quórum), o morto já cumpriu sua participação. Abandonar após a morte não dispara report nem perda relacionada à saída.
  • Recompensas da partida (pendente): se o morto sai antes do fim, ele ainda recebe XP/Reputação da partida jogada e participa da votação de MVP (Pós-Partida)? Recomendação: sim, creditar a partida já jogada e permitir o voto de MVP enquanto presente — mas a regra exata (precisa estar presente na Pós-Partida para receber? recebe mesmo saindo no meio?) fica pendente.
  • Host que morre e sai: a saída não tem penalidade, mas se o morto era o host, a Migração de Host continua valendo normalmente (passa para o humano mais antigo). Morte não muda a regra de host.

Chat entre mortos (pendência narrativa)

As decisões do card não incluíram um chat entre mortos. O que existe é a diretriz: “queremos fugir da fantasia, ou seja, ainda temos que criar um contexto para os bots falarem entre si.”

Interpretação para o GDD:

  • Um chat dos mortos (canal onde eliminados conversam livremente sem afetar os vivos) é desejável, mas não está aprovado porque depende de um enquadramento diegético que respeite o princípio anti-fantasma.
  • O mesmo enquadramento precisa cobrir os bots: como Quórum preenche vagas com bots, é preciso uma justificativa crível para bots “conversarem entre si” no espaço dos mortos sem soar artificial nem sobrenatural.
  • Enquanto esse contexto não for criado, o morto é tratado como espectador silencioso (lê os vivos, não tem canal próprio de conversa garantido).

Pendência de narrativa + design: inventar o contexto in-fiction do espaço dos mortos (e da fala dos bots ali). Sem isso, o dead chat fica fora do escopo. Cruza com a pendência de comportamento dos bots em Quórum.

UI diferenciada

  • Existe um estado visual de espectador que deixa claro, sem ambiguidade, que o jogador está morto e apenas assistindo.
  • O tratamento deve seguir o princípio anti-fantasma: nada de estética de espírito. Direções possíveis (a fechar com arte): dessaturação/escala de cinza da mesa, marca d’água de “Eliminado”, carta do jogador virada/marcada — alinhado à Death Animation.
  • Elementos de ação dos vivos (campo de digitar no chat, botões de voto, habilidades) ficam desabilitados/ocultos para o morto; ele mantém apenas a leitura (chat, votos, funções reveladas).
  • O HUD do espectador é uma variante do HUD padrão — layout exato pendente.

Interação com bots e Quórum

  • Um slot morto não precisa de bot ativo: não há ações a tomar por uma posição eliminada. O preenchimento por bot de Quórum importa para vagas vivas abandonadas, não para mortos.
  • Se o jogador morre e sai, sua vaga já está morta — sem substituição relevante de gameplay.
  • A fala dos bots no espaço dos mortos depende da pendência narrativa acima.

Pendências (a definir em rodadas futuras)

  • Confirmar read-only: o morto realmente não pode escrever no chat dos vivos (inferência de design a ratificar).
  • Chat dos mortos: existe? Qual o enquadramento diegético anti-fantasma que o justifica e que dá contexto à fala dos bots?
  • Recompensas ao sair morto: recebe XP/Reputação e vota em MVP mesmo saindo antes do fim? Precisa estar presente na Pós-Partida?
  • UI/HUD de espectador: tratamento visual exato (filtro, marca d’água, estado das cartas), em conjunto com Death Animation e HUD.
  • Visão noturna do morto: durante a noite o chat público está desligado (Chat); o morto vê as ações noturnas secretas (quem fez o quê) ou só o resultado? Definir o nível de informação noturna do espectador.
  • Mortos e habilidades de pós-morte: funções como Últimas Palavras ou reanimação (Reanimar) mudam o estado de espectador — mapear as interações.
  • Espectador puro (não-jogador): o card trata do morto; assistir partida sem ter jogado (espectador convidado) é tema separado, não decidido.

Ver Também